(Grupo Kino-Olho durante Evento no Rio de Janeiro)
O Grupo Kino-Olho foi convidado a participar do Evento de Lançamento e Distribuição da Série Lab Cultura Viva, do qual contou com duas produção do Grupo Kino-Olho ( "Amor de Picadeiro" e "Viagem para História") realizadas em parceria com o Ponto de Cultura Novos Olhares e o Ponto de Cultura Rio Claro. A série compreende os vídeos produzidos no âmbito dos Editais de Documentário, Vídeos Autorais e Vídeos de Curta Duração; com exibições na TVE/TV Brasil e Redes Culturais.
O evento ocorreu nos dias 6 e 7 de junho, contando com a representação de Bruno Barrenha e Cláudia Seneme do Canto, ambos membros do Kino-Olho. Nesta oportunidade eles puderam relatar os resultados das produções realizadas em Rio Claro, assim como um circuito de palestras, participando de debates sobre produções independentes e formas de distribuição.
No dia 6 eles contaram com uma apresentação oficial do Documentário sobre a Série na presença de representantes do Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual e Pró Reitoria de Extensão - Escola de Comunicação UFRJ. No mesmo dia tiveram uma mesas de debates sobre Estética e formação de Redes para o audiovisual na presença de representantes de Pontos de Cultura e de Pesquisa Audiovisual.
No dia seguinte particparam de um encontro na Universidade das Culturas, debatendo algumas experiências livres de formação em Rede. Em seguida debateram Políticas Universitárias, o Programa Cultura Viva e articulações das redes latino-americanas. Nesta oportunidade foi debatido e assinado uma carta ao Ministério em prol dos projetos do Lab Cultura Viva.
Estas experiências somam no desenvolvimento e ampliação das atividades do Grupo Kino-Olho, que tem base no interior paulista, mas possui parcerias e produções em âmbito nacional e internacional. Ações como esta fortalecem uma democracia na produção e distribuição de conteúdo audiovisual com qualidade.
Hoje o Grupo Kino-Olho é reconhecido como um coletivo cinematográfico profissional, que sabe produzir conteúdos de qualidade e premiados. Para assistirem estas duas produções do Kino-Olho lançadas no Rio de Janeiro, acessem:
"Amor de Picadeiro"
"Viagem para a História"
Ensaios sobre o "Kino-Olho"
Nos anos 20 na Rússia, o realizador Dziga Vertov, se empenhou em se aprofundar sobre o fazer cinematográfico. Ele buscava a essência do que seria a sétima arte, destacando algum elemento nato não encontrado em outras artes. A idéia do Cinema ser um conjunto de outras artes era algo inadmissível.
Este "olhar" único do Cinema, ele chamava como Kino Olho. Um olhar além do humano, desvendando novas interpretações e revelações sobre a realidade. Seus operarios do Cinema, os "Knocks", exploravam a Rússia com suas câmeras. A idéia norteava o milagre da arte cinematográfica, que em suas imagens em movimento capturavam a espontâneidade da vida.
Neste caminho de reflexões audiovisuais, os participantes das últimas reuniões semanais do Kino-Olho, rascinharam em formas de filmes-ensaios. Na noite do dia 6 de junho, o grupo encontrou um cenário pronto na sala de cinema do Centro Cultural Roberto Palmari. Este seriva de palco para algumas apresentação à escolas públicas.
O tema da peça era o meio ambiente. No palco havia este cenário simples e minimalista constituido por duas cortinas: Uma era escura cheia de ilustrações de lixo e poluição; a outra era clara com flores e muita cor. Vendo este material improvisamos um cena junto a Larissa Carnecine e Jonata de Jesus. Não havia diálogo ou história, como sempre fazia Vertov.
O que havia era apenas uma situação, explorando sensações adversas conforme as marcacões de cena. Basicamente Jonata estava entre as duas cortinas, preso num certo espaco à parte. Ali ele caminhava em direção à câmera, procurando uma saída. Do outro lado estava Larissa, que fugia da câmera. O encontro entre os dois parecia impossível.
Sinos tocam em cena, como se anunciassem um possível encontro, que em trocas de olhares parecia próximo. No final os dois personagem se encaram; na verdade encaram a câmera. Tudo simples e realizado com um celular e uma lente fotográfica.
No segundo ensaio, agora contanto com um ator da Cia. Tempero D'Alma ( Marvel Pedroso) e Jonata de Jesus, criamos uma outra cena. Neste filme-ensaio da noite do dia 13 de junho tivemos uma nova surpresa na sala de cinema: Um ventilador. Assim pensamos numa ação entre os dois atores dialogando junto à uma máquina.
A "máquina" servia como em Vertov, um forma de retratar algo super humano, um objeto que possibilita a efetuação de "milagres" não possíveis por um ser humano. O vento era a ação do objeto, como meio de encontro com os atores. Estes também se comunicavam jogando gritos ao vento.
Ambos os ensaios se resumiriam como experimentação e performances. Servem de exemplos para nos aprofundarmos e mergulhar sobre uma arte, muito nova, comparado às artes mais clássicas. Há nela mistérios e estéticas para se descobrir...
Veja os dois filmes abaixo
Revista Cinema Caipira de junho
A revista Cinema Caipira ISSN 1984-896x, número 52, já está disponível para encomenda e download gratuito em diversos formatos. Neste mês contamos com os seguintes artigos;
"Cinema: O Dia Que Durou 21 Anos”
por Joba Tridente
"Filme contra o preconceito"
Por
JP Miranda Maria
"Oficinas de video no Terra Nova"
Por
JP Miranda Maria
"Rubens Francisco Lucchetti,
um artista acima dos rótulos!”
Por
Rafael Spacca
"O exercício de fazer Cinema”
Por
JP Miranda Maria
"Virada Cultural”
Por
JP Miranda Maria
* Pôster "Filme ensaio 23/5/13".
de D
OBS: Os participantes desta edição tem direito a uma revista, bastando enviar por e-mail seus endereços.
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Virada Cultural no bairro Bonsucesso
Neste último fim de semana, dias 25 e 26, ocorreu a primeira Virada Cultural em Rio Claro SP. Não foi a virada cultural tradicional, projeto estadual encaminhado para cidades do interior, mas foi um projeto municipal com apenas participações dos artistas locais. Assim grupos como o Kino-Olho e Cia Tempero D'alma puderam manifestar suas atividades e obras.
No sábado dia 25, no Centro Comunitário do bairro do Bonsucesso (periferia da cidade de Rio Claro), foram realizados uma apresentação teatral do monólogo "Faz de Conta" com Luana Menezes e a exibição de vários curtas-metragens realizados pelo Kino-Olho.
Um público não tão acostumado a uma arte mais erudita, estavam ali, curiosos para entender. A própria escolha dos filmes se fez pela opinião do público, além de cada filme haver uma posterior discussão, deixando o público manifestar seus pensamentos sobre os temas. Durante as exibições pudemos ver as expressões e identificações que o público teve, independente de uma explicação anterior.
Nestes eventos o Grupo se surpreende com a reação do público, surgindo admiradores e curiosos que querem experimentar ser artistas, perguntando como terem acesso a tudo isto. Mais surpreendente é quando descobrem que tudo foi feito na cidade, de forma profissional, e nunca pensado como viável pela platéia.
Nesta oportunidade pensamos em como introduzir e melhorar a incorporação de nossos trabalhos a um público cada vez maior, em nossa própria cidade. Diferentemente de atividades ocorridas na capital, em Rio Claro o público é modesto e aos poucos surge, fazendo com que o trabalho seja modesto como de pequenas formigas. Principalmente se pensarmos que boa parte do público imagina que Cinema só é feito em Hollywood. O próprio estilo do grupo sempre almejou fazer algo ao mesmo tempo artístico e que possa ser sentido por qualquer público.
Os resultados vemos nos rostos dos jovens e famílias presentes no Bonsucesso, revelando apreensões, risos e reflexões. O engraçado é que logo na esquina ao lado havia um bar aberto com o som bem alto, tocando músicas erotizadas, em que compartilhavamos o mesmo público durante esta noite. Alguns passavam pela porta e assistiam um pouco distante, mas ao mesmo tempo apreensivos pelas possibilidades que aquela apresentação artística tocava a si.
Em meio a esta noite com um público e espaço diferenciado fizemos algumas fotos e um registro em forma de filme-ensaio.
O exercício de fazer Cinema
(Poster Filme ensaio 23/05/13)
Toda semana o Grupo Kino-Olho, em Rio Claro SP, se reune para discutir teoria e prática cinematográfica. Um dos métodos usados para se apreender as conversas é o "Filme-ensaio". Uma espécie de exercício, onde não existe inicialmente um resultado almejado, mas uma relação entre conteúdo e forma. Pensamentos sobre vanguardas, escolas e realizadores são pautadas em "conversas audiovisuais", em qualquer tipo de equipamento, improvisando uma ação cênica.
Para o grupo, Cinema é um hábito rotineiro, possível de ser notado em qualquer espaço e contexto. Aqui o mínimo é sempre o melhor meio para exercitar o controle e observação cinematográfica. Os participantes, mesmo ainda iniciantes na área, produzem a seu modo um conteúdo audiovisual, inspirado nas conversas e conteúdos ditos. A questão não é de imitar algo, ou experimentar técnicas de terceiros. O que se apreende é o seu próprio modo de observação, sabendo lhe dar com a estética particular que se organiza a seu próprio modo.
Não há a forma certa, pois o que funciona para um realizador, não funcionará a outro. Logo de inicio precisamos esquecer destes tipos e tentar ter uma certa "ingenuidade" diante de uma possível cena. Um dos grandes nomes discutidos na noite do dia 23 de maio de 2013 foi o de Jean-Luc Godard. Para entendê-lo um pouco a mais, assistimos à um de seus filmes roteiros, o que relaciona seu longa Sauve qui peut ( la vie) . Para Godard os filmes roteiros serviam como um modo de organização de suas idéias pré ou pós filme. Insights e pensamentos sobre a sétima arte se misturam com uma apresentação do que seria o filme que estaria a realizar.
Este exercício, feito em outros momentos, era a base para se firmar em pontos estratégicos em que o diretor mergulhava para compreender o próprio filme. Estes filmes roteiros estavam longe de serem alguma espécie de bastidores de um set de filmagem, mas almejavam entrar na própria mente do autor para descobrir uma justificativa.
Godard já havia ressaltado o interesse de filmes que relatavam mais o processo do que uma idéia pronta, ao lembrarmos de seu Grupo Dziga Vertov, formado na década de 70. Naquele momento surgia um reconhecimento a um grande realizador russo dos anos 20, Dziga Vertov, que não fora valorizado em seus anos de produção. Isto se deve à sua estética que sempre queria ressaltar o mecanismo de se produzir um filme, revelando os aspectos da ilusão do espetáculo (algo que apenas seria explorado através de vanguardas modernistas do Cinema nos anos 60).
Vertov criou um termo para poder ilustrar este poder único, que apenas poderia ser visto pelo olhar mecânico da filmadora e de uma mesa de corte. A este olhar ele denominava "Kino-Olho".
Assim, entre outras conversas paralelas, os membros do Kino-Olho, reunidos nesta quinta-feira a noite no Centro Cultural Roberto Palmari, realizaram mais um filme ensaio.
Desta vez a cena foi improvisada durante a própria duração dos planos, onde atores recebem instruções no próprio ato. Suas reações são espontaneas por não saberem o que exatamente devem fazer, apenas esperam, com pequenos gestos e falas, formar aos poucos uma possível narrativa. Mesmo assim há momentos em que tal descrição é abandonada para explorar novas sensações.
No elenco deste filme ensaio estavam a Larissa Carnecine e Jonata de Jesus. Equipe e atores se misturam no mesmo quadro, improvisando tudo que é visto, sem pensar, mas apenas agir de formas diversas e antagônicas.
Link do filme ensaio https://vimeo.com/66945982
(Stills do filme)
Toda semana o Grupo Kino-Olho, em Rio Claro SP, se reune para discutir teoria e prática cinematográfica. Um dos métodos usados para se apreender as conversas é o "Filme-ensaio". Uma espécie de exercício, onde não existe inicialmente um resultado almejado, mas uma relação entre conteúdo e forma. Pensamentos sobre vanguardas, escolas e realizadores são pautadas em "conversas audiovisuais", em qualquer tipo de equipamento, improvisando uma ação cênica.
Para o grupo, Cinema é um hábito rotineiro, possível de ser notado em qualquer espaço e contexto. Aqui o mínimo é sempre o melhor meio para exercitar o controle e observação cinematográfica. Os participantes, mesmo ainda iniciantes na área, produzem a seu modo um conteúdo audiovisual, inspirado nas conversas e conteúdos ditos. A questão não é de imitar algo, ou experimentar técnicas de terceiros. O que se apreende é o seu próprio modo de observação, sabendo lhe dar com a estética particular que se organiza a seu próprio modo.
Não há a forma certa, pois o que funciona para um realizador, não funcionará a outro. Logo de inicio precisamos esquecer destes tipos e tentar ter uma certa "ingenuidade" diante de uma possível cena. Um dos grandes nomes discutidos na noite do dia 23 de maio de 2013 foi o de Jean-Luc Godard. Para entendê-lo um pouco a mais, assistimos à um de seus filmes roteiros, o que relaciona seu longa Sauve qui peut ( la vie) . Para Godard os filmes roteiros serviam como um modo de organização de suas idéias pré ou pós filme. Insights e pensamentos sobre a sétima arte se misturam com uma apresentação do que seria o filme que estaria a realizar.
Este exercício, feito em outros momentos, era a base para se firmar em pontos estratégicos em que o diretor mergulhava para compreender o próprio filme. Estes filmes roteiros estavam longe de serem alguma espécie de bastidores de um set de filmagem, mas almejavam entrar na própria mente do autor para descobrir uma justificativa.
Godard já havia ressaltado o interesse de filmes que relatavam mais o processo do que uma idéia pronta, ao lembrarmos de seu Grupo Dziga Vertov, formado na década de 70. Naquele momento surgia um reconhecimento a um grande realizador russo dos anos 20, Dziga Vertov, que não fora valorizado em seus anos de produção. Isto se deve à sua estética que sempre queria ressaltar o mecanismo de se produzir um filme, revelando os aspectos da ilusão do espetáculo (algo que apenas seria explorado através de vanguardas modernistas do Cinema nos anos 60).
Vertov criou um termo para poder ilustrar este poder único, que apenas poderia ser visto pelo olhar mecânico da filmadora e de uma mesa de corte. A este olhar ele denominava "Kino-Olho".
Assim, entre outras conversas paralelas, os membros do Kino-Olho, reunidos nesta quinta-feira a noite no Centro Cultural Roberto Palmari, realizaram mais um filme ensaio.
Desta vez a cena foi improvisada durante a própria duração dos planos, onde atores recebem instruções no próprio ato. Suas reações são espontaneas por não saberem o que exatamente devem fazer, apenas esperam, com pequenos gestos e falas, formar aos poucos uma possível narrativa. Mesmo assim há momentos em que tal descrição é abandonada para explorar novas sensações.
No elenco deste filme ensaio estavam a Larissa Carnecine e Jonata de Jesus. Equipe e atores se misturam no mesmo quadro, improvisando tudo que é visto, sem pensar, mas apenas agir de formas diversas e antagônicas.
Link do filme ensaio https://vimeo.com/66945982
(Stills do filme)
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